17ª COMPANHIA DE COMANDOS
A 17ª COMPANHIA DE COMANDOS foi formada no Centro de Instrução de Comandos.
Em 19 de Setembro de 1968, encerrou em Luanda, no C.I.C. o 12º Curso de Comandos.
Os jornais de Angola diziam assim, no dia 20:
###O General Luz Cunha presidiu ontem ao encerramento de mais um Curso de Comandos.
Realizou-se ontem à tarde, no Centro de Instrução de Comandos de Luanda, o encerramento de mais um Curso de Comandos, o 12º, cerimónia que pelo ritual e pela dignidade como decorreu, definiu o inigualável espirito que preside à preparação e treinamento destes soldados.
Dignaram-se assistir a esta cerimónia ímpar entre as Forças Armadas, o
-Comandante da R.M.A.,General Edmundo da Luz Cunha, que presidiu, e o
-2º Comandante da R.M.A., Brigadeiro Tomás José Basto Machado,
-Chefe e o
-Sub-Chefe do Estado Maior,
-Presidentes dos Tribunais Militares Territoriais,
-Coronéis Inspectores,
-Juízes Auditores dos Tribunais Militares e
-outras altas patentes dos três ramos das Forças Armadas.
Ali chegado,o General Luz Cunha recebeu a continência das forças em parada, tendo em seguida passado revista, após o que se dirigiu para a tribuna de honra acompanhado de toda a oficialidade.
O Comandante do Centro de Instrução de Comandos, tenente coronel António Correia Dinis, proferiu então uma alocução em que, depois de ter agradecido as presenças, que disse serem de grande estímulo, se dirigiu ao 12º Curso de Comandos, exaltando a forte vontade de vencer e a constante renuncia, a determinação e a nítida compreensão do dever, revelada pelos novos comandos ao longo do 12º Curso; expressou também a certeza de que saberiam vencer, prestigiando o Centro de Instrução de Comandos.
No final o comandante das Forças em Parada, leu o Código "Comando", aos novos Comandos.
Viveu-se a seguir, o mais alto momento da cerimónia com a entrega dos "crachats" a cada um dos novos comandos e do Guião da nova Companhia.
Seguiu-se o desfile das forças em parada.###
Mas antes disto ter sucedido, já nós tinhamos feito o "juramento de bandeira" em 21 de Dezembro de 1968 no quartel das Caldas da Raínha ( é um furriel que está a escrever) e o 1º dia de tropa em 09/10/67.
Após uma férias de Natal, fomos até Lamego e durante 12 semanas fizemos o primeiro curso /especialidade de "Operações Especiais" (oficiais e sargentos fizeram este Curso juntos).
Fomos os primeiros elementos do País a ter esta especialidade.Até esta data o Curso de Operações Especviais era um Curso de Formação complementar às especialidades ( atirador etc ) e só a partir de Jan 68, com o nosso curso passaram a ser especialidade).
Findas as doze semanas, tivemos 4(quatro) semanas de férias ( as da especialidade ),a que se seguiu a apresentação, outra vez em Lamego,desta vez, para um Curso de 4 semanas, para Quadros de Companhias de Comandos.
Foram nossos instrutores, Homens como :
-Jaime Neves,
-Leal de Almeida,
-Mandriana,
-Isaías Pires, e
-Silvério.
Hoje sabemos o que eles nos ensinaram.
Depois deste Curso e daquela cerimónia de imposição dos dísticos para o braço, efectuada na Parada do Quartel de Santa Cruz em Lamego,a que se seguiu em desfile pelas principais ruas da cidade, viemos para Lisboa para o R.A.L. nº 1, esperar por embarque para Angola.
Entretanto começámos a juntar os elementos que iriam para o "C.I.C." tirar o 12º Curso de Comandos e formar Companhia ( a 17ª).
Eram sargentos e praças e especialidades que se vieram juntar aos oficiais e sargentos que tinham vindo de Lamego.
Fizemos a viagem para Luanda a bordo do navio "Angola" em viagem civil.
Chegámos a Luanda numa 6ª feira ao fim da tarde.
Comentavamos nós, quando começámos a ver a "malta" do Centro de Instrução de Comandos de Luanda, em pleno cais, com tudo preparado, esperando por nós: "agora, levam-nos para o quartel, dão-nos um fim de semana e na 2ª feira começa o Curso".
Hoje dizemos: "Claro, não querias mais nada?".
SIM, levaram-nos para o quartel, passámos toda a noite a fazer testes físicos nas camaratas e depois de tudo acabado, fomos até à Parada e nas viaturas que estavam à nossa espera, fomos até próximo do Úcua (a 100 km de Luanda), onde nos esperava uma prova muito conhecida em Portugal.
A célebre "prova da sede", e durante três dias lá a fizemos.
No C.I.C. entregaram-nos variada informação, entre a qual vinha um livrinho que tinha escrito "coisas" importantes.
Transcrevo:
###Que sejas bem vindo ao Centro de Instrução de Comandos!
E sejas Bemvindo pela alegria que nos dá a vossa presença, pela previsão do vosso convívio e pela esperança da vossa Glória.
Tu representas a vivência dum espirito de missão que iluminou as melhores páginas da nossa História; tu simbolizas a fé que nos mantem seguros no rumo empreendido; tu és a presença duma juventude que não esquece os deveres herdados, nem vira a cara às suas responsabilidades.
Tu és Benvindo ao Centro de Instrução de Comandos!
E o que te prometemos?
A fadiga e a dor e o risco por companheiros de trabalho, mas para além deles e para além de ti próprio, a Honra e a Glória de servir.
E servir será a constante do teu comportamento, o orgulho da tua consciência de militar, a satisfação do teu dever de homem.
E, em servindo o País que te viu nascer, servindo os teus companheiros, os teus homens e os teus chefes, te irás guindando no respeito de todos, na veneração dos teus subordinados, na memória dos que te antecederam e no orgulho dos que depois de ti vierem.
Tu serás Benvindo ao Centro de Instrução de Comandos, porque a generosidade do temperamento e a alegria da tua juventude, são penhor bastante, para a certeza de corresponderes aos deveres de um COMANDO como desejas ser.
E, quando por esforços e sacrifícios sem par, sentires merecer o título porque aspiras e vires com alegria, brilhar no teu peito a insígia que te distingue, compreenderás então o verdadeiro significado, do termo, "COMANDO".
E, saberás então que para além das dificuldades vencidas, o título corresponde à vitória duma luta travada contigo próprio,à supremacia da tua vontade sobre o teu ínstinto.
Que sejas Benvindo ao Centro de Instrução de Comandos, e que quando o deixares, na saudade de um rude e belo convívio e na certeza de um dever cumprido, possas levar contigo o orgulho do título que te distingue e na tua consciência a honra de merecê-lo, são os nossos mais ardentes votos.
A INSTRUÇÃO QUE VAIS RECEBER
A instrução em que vais participar desenrolar-se-á, na maior parte, sem que conheças o seu horário ou até a sua natureza.
Isto quer dizer que durante todas as 24 horas do dia estarás pronto, para a mais pequena indicação, te apresentares no local da formatura do teu Grupo, para dali seguires ao cumprimento do que te for designado pelo instrutor respectivo.
Poderá até suceder que te mantenhas em instrução por periodos superiores a um dia, e seres forçado a viver de noite, isto é, a fazeres a tua vida normal durante o periodo nocturno do dia.
Não estranhes, pois, o que te vier a suceder, e, sobretudo não te deixes dominar por reacções que seriam normais se não fosses um candidato a "COMANDO".
Um outro aspecto que julgamos dever acentuar, é o aspecto disciplinar do teu comportamento.
Se poderá considerar-se um exagero, para um "COMANDO", tornar-se-á de tal modo habitual que irás estranhar no futuro, como te foi possível viver de outro modo.
E não te esqueças, de que as exigências feitas não são obrigações que cumpres, mas a afirmação permanente da tua vontade e do teu desejo de ser um "COMANDO".###
No Guia do Comando do Centro de Instrução da Namaacha, (é a 1ª vez que é referido este nome e será explicado mais adiante), distribuído a todos os instruendos no dia da chegada estava escrito:
###Que sejas benvindo ... e que o sejas, pela alegria que todos sentimos na previsão do vosso convívio e na esperança da vossa glória.
Viver perigosamente irá ser o teu lema!
Mas se a vida será dura como convém ao militar que és, ao "COMANDO" que desejas ser, não te deves esquecer que é no sofrimento e na dor que se tempera a alma do militar e se caldeia a força da sua fé.
É a tua vontade, na alegria da tua juventude e na generosidade do teu temperamento, que virá a ser o fiel da tua actividade e o orgulho da tua consciência.
E quando, por esforços e sacrifícios,ao longo de riscos sem par,sentires merecer o título a que aspiras, ou sentires a alegria de ver brilhar no teu peito a insígnia que te distingue,então compreenderás o verdadeiro significado de um "COMANDO".
E saberás que esse título corresponde ao termo de uma luta que travaste contigo próprio, a uma vitória da tua vontade sobre o teu instinto.
Que sejas benvindo e que quando daqui saíres, na certeza de um dever cumprido,leves contigo o orgulho dum título que distingue e na consciência a honra de merecê-lo.###
Isto foi em 1964.
Em 1968, no Centro de Instrução de Comandos de Luanda em Angola foi-nos distribuído um Guia com idêntico conteúdo e com modificações ligeiras.
ESPECIALIDADE "COMANDOS"
PRIMEIRA REFERÊNCIA A "COMANDOS"
A primeira vez que a designação "COMANDOS" assume carácter oficial foi num despacho de 15 de Maio de 1963.
Depois, em 9 de Junho foi inaugurado o Centro de Instrução nº 16 ocupando as instalações do Quartel de Quibala na Fazenda Senhora da Hora, na Quibala Norte, onde foi ministrado o Curso que foi reconhecido como o primeiro Curso de Comandos.
O QUE SE PRETENDIA?
A Nota 169/3 de 8 de Maio de 1963, da 3ª REP/EME dizia o seguinte:
"É reorganizado o Centro de Instrução nº 21 com a finalidade de ministrar instrução intensiva de contra-guerrilha a grupos de combate dos Batalhões."
Pretende-se que cada Batalhão disponha, assim, de um núcleo devidamente especializado, aguerrido e moralizado que, simultâneamente seja um elemento de valor táctico elevado para ser empregue em missões de combate difíceis, perigosas ou de grande interesse operacional; constitua um estímulo pelo seu exemplo e, pela difusão dos conhecimentos adquiridos; contribua para uma melhoria do nível de instrução e da eficiência operacional da própria unidade.
REGALIAS DOS "COMANDOS"
Transcrevendo novamente a Nota 169/3 da 3ª REP/EME constata-se o espirito que desde o início sempre presidiu à formação das tropas "COMANDOS":
"O pessoal não usufruirá de quaisquer regalias ou gratificação especial. Será submetido a uma vida dura e disciplina rígida e o que terminar a instrução com aproveitamento terá direito à designação " COMANDOS " e ao uso de um distintivo próprio."
PRIMEIRA IMPOSIÇÃO DE "CRACHAT"
Só começou a haver imposição de crachat no 2º curso, no C.I. 25.
Foi escolhido o Forte de João de Almeida, na altura abandonado, mas carregado de história.
A cerimónia realizou-se de noite e a iluminação foi feita com archotes.
Fez-se a formatura e como à noite não há bandeiras hasteadas foi elevado o mastro já com a Bandeira Nacional içada.
EQUIPE - UNIDADE CÉLULA DA INSTRUÇAO "COMANDO"
a ser desenvolvido noutra data
"CÓDIGO COMANDO"
Representa uma síntese dos deveres do "Comando" que sendo lidos diariamente, são um motivo duma reflexão pessoal, a fim de que, cada um pudesse pensar o que era no âmago ser "Comando" e ver se está de acordo com o seu íntimo.
O "CÓDIGO COMANDO" deriva do antigo Estatuto do Oficial do Exército e,como tal, fazia parte do seu código de honra.
Foi introduzido no C.I. 16 - Quibala Norte.
COMANDO Nº 1
O cartão de identificação da REGIÃO MILITAR DE ANGOLA - CENTRO DE INSTRUÇÃO DE COMANDOS - COMANDO Nº 1 - tem inscrito o nome de GILBERTO MANUEL SANTOS E CASTRO - Major de Artª
O cartão com o nº 1033 pertence a ANTÓNIO GILBERTO RAMALHO DA LUZ - Fur. Mil. Operações Especiais.
O QUE SÃO OS COMANDOS
Do jornal Moçambicano,(de Lourenço Marques) "Diário" do dia 8 de Julho de 1964 que descrevia a cerimónia de encerramento do 1º Curso de Comando realizada na Namaacha com a presença do Comandante da Região Militar gen.Caeiro Carrasco, retiro a seguinte descrição:
" O Curso de Comandos, pela primeira vez instruídos em Moçambique, visando o adestramento de combatentes altamente qualificados nas lutas da selva--contra guerrilheiros ou terroristas-- para enfrentarem as situações mais difíceis-foi dirigido por um grupo de oficiais e sub-alternos especializados na técnica de comandos, alguns com brilhantes actuações em Angola, como o:
-director do curso, cap. A. Videira e
o
-cap. A. Serrano, que pertenceu ao Corpo de
Páraquedistas.
Os homens dos comandos são combatentes completos, preparados para todas as contingências, fisica e moralmente.
O critério que preside à selecção dos elementos admitidos aos Corpos de Comandos é de tal ordem rigoroso que, para se fazer uma ideia da sua rigidez, bastará dizer que de um total de 1200 homens escolhidos, só 60 chegaram ao fim do curso, vencendo as duras provas que o constituem!
Os restantes foram sendo sucessivamente irradiados.
A FINALIDADE DOS COMANDOS
Na realidade, avaliando pelos exercícios de encerramento do 1º Curso de Comandos a que assistimos, pudemos compreender porque de tantos homens recrutados, só tão poucos chegaram ao fim do curso.
Os comandos demandam uma preparação física e moral elevadas ao mais alto grau- quer pela natureza especial das suas missões que lhes são cometidas, quer pela dureza dos meios de que se servem para as cumprir- com risco até da própria vida, enquanto nada tenham de similar com os comandos suicidas.
Nestes comandos (que caracterizaram a última guerra, sobretudo entre os japoneses) os homens trocam sempre a vida por um êxito; ao passo que naqueles apenas arriscam a vida para o obter, o que não quer dizer que o obtenham só em troca da própria vida, até porque é precisamente para evitar esta situação extrema que eles são preparados para melhor a defenderem, perante as piores contingências.
DISTINTIVO DA BOINA
O emblema a usar na boina e no barrete pelos Oficiais, Sargentos e Praças que façam parte da unidade de Comandos é o modelo que tem a seguinte descrição heráldica:
Escudo das armas nacionais assente, à dextra, num punhal antigo, em pala, apontando para cima e contornado, também à dextra, por um ramo de louro, cujos topos proximal e distral passam sob o punho e a ponta da lâmina do punhal, respectivamente.
(Determinação do Ministro do Exército de 16MAI66.
DISTINTIVO DE ESPECIALIDADE
Aos Oficiais, Sargentos e Praças a quem seja averbada a especialidade "Comandos" é concedido o uso, em qualquer uniforme, no peito e ao centro do bolso superior esquerdo, dum emblema cuja descrição heráldica é a seguinte:
De vermelho, um punhal antigo em pala, apontando ao chefe, carregado de uma quina das Armas Nacionais, perfiladas de prata, bordadura diminuída de negro, perfilada interiormente de ouro.
Determinação do Ministro do Exercito, de 16MAI66
